Entrevista com Mad Dragzter

Nesta entrevista com os integrantes da banda Mad Dragzter Tiago Torres e Gabriel Spazzian, abordam assuntos como letras das músicas, composições e arranjos, artes das capas, o CD "Master of space and time" e muito mais.

Rodrigo Chenta- Fale sobre o início, como surgiu e o porquê do nome da banda Mad Dragzter?
Tiago Torres-
Começamos em meados de 1998. Tivemos alguns nomes antes do final e definitivo. Fomos Bulldozer, Dragster, entre outros. Nosso Demo de 2001, chamada "New Times" já foi lançado com o nome Dragster. Depois para não ter mais problemas com o nome igual a bandas antigas mudamos para Mad Dragzter. Os Dragsters são carros de arrancada/corrida que chegam a 500 Km/h e precisam de um paraquedas para frear. Adicionamos o furioso/louco antes e combinou bem com nosso som e mensagem!!

Rodrigo Chenta- A arte das capas dos três álbuns lançados até o momento são muito interessantes e bastante conceituais. Fale sobre o processo de criação e as ideias desta parte gráfica em relação ao "Master of space and time".
TT-
A Capa do Master foi criada por um artista Brasileiro radicado há bastante tempo nos EUA chamado Sergio Cariello. Ele desenha para Marvel e DC Comics entre outras e é bem conhecido no meio dos quadrinhos. Conhecemos o trabalho dele por meio da Bíblia em Ação/Action Bible, uma Bíblia em quadrinhos que faz um sucesso gigantesco no mundo todo. Queríamos alguém para descrever fielmente a passagem Bíblica de Apocalipse 19:11 e ele arrebentou. Basicamente essa passagem resume e conclui o tema de todo disco.

Rodrigo Chenta- Parece que a cada disco lançado aumenta levemente em momentos apropriados o uso de pequenos efeitos como flanger, acréscimo de teclados, etc. É possível afirmar que são importantes para os climas das composições musicais?
Gabriel Spazziani-
Nos 3 primeiros discos do Mad Dragzter (Demo / Strong Mind e Killing) tínhamos um certo "preconceito" com teclado ou sonoridades do tipo, e os efeitos eram sempre feitos com guitarra, violão ou algum processamento digital dos áudios (coisa que o San, produtor dos discos fazia muito bem). Mas sempre gostamos de explorar estes climas sem muita amarra.

No Master of Space and Time vimos uma possibilidade maior para colocar outros instrumentos, conceitualmente o disco tinha mais espaço para teclados, percussão e até um Synth Moog que temos no estúdio. Pesou também o fato de termos mais tempo para trabalhar o play e inserir estes elementos nas musicas. O disco também tem referências de outros estilos, como o Reggae, Baião, Eletrônico, mas sempre deixando os riffs como o principal priorizando o Thrash Metal.

"Nossa ideia sempre foi fazer um disco que soasse ... como a sonoridade dos discos clássicos de thrash que gostamos."

Mad Dragzter Rodrigo Chenta- Fale sobre a produção do videoclipe da música "Break Down".
TT-
Esse clipe foi feito em 2004. Tínhamos um amigo que trabalhava com cinema, o Harley, e ele deu a ideia do roteiro. Ele produziu o Clipe que é quase todo feito com sobras de rolos de película de 16 mm e teve até dublê da Globo pegando fogo. No final achamos muito tosko e escuro. Ahahahahahaha... Mas para época valeu!!!

Rodrigo Chenta- Do segundo trabalho "Killing the devil inside" de 2006 para o recente "Master of space and time" de 2015, houve um período de nove anos. O que ocasionou este grande hiato na produção artística do Mad Dragzter?
TT-
Em resumo eu não gostei do resultado do disco e o caminho pelo qual ele tomou. Muito Pop para o meu gosto na época. Hoje gosto mais do disco do que naquele tempo. A banda praticamente acabou logo depois do lançamento do álbum. Comecei a compor material novo para um possível disco solo, que acabou virando o Master. Chamei o Gabriel e começamos a gravar demos. Depois o resto da banda voltou e em 2008 começamos de novo!

Rodrigo Chenta- No recente álbum houve uma mudança bastante perceptível na temática das letras comparando-as com as dos outros dois discos já lançados. O que motivou o conceito das letras desta produção?
TT-
Sempre falamos sobre política, guerras, problemas sociais, problemas familiares. Mas no começo de 2008 eu me converti ao Cristianismo e como componho 100% das letras foi natural abordar o tema no disco novo! Que, aliás, repassa a Bíblia de Gênesis a Apocalipse.

Rodrigo Chenta- Neste trabalho a sonoridade está mais crua, direta e com guitarras com timbres mais estridentes nas músicas. Elas são mais agressivas e rápidas com grande influência dos thrash metal dos anos 80. Fale sobre o processo criativo das composições musicais do Mad Dragzter e sobre a proposta deste novo CD?
GS-
Normalmente o Tiago traz alguns riffs meio numa sequência que ele desenvolve e a gente trabalha a música no estúdio, alterando algumas partes e implementando uma ideia ou outra. No caso do Master as musicas já vieram quase prontas por parte do Tiaguera, ai trabalhamos mais a pós-produção e inserção dos climas, desenvolvendo em cima das ideias, mas sem alterar muito, somente limpando algumas partes. Nossa ideia sempre foi fazer um disco que soasse o mais porrada possível, e cru, como a sonoridade dos discos clássicos de thrash que gostamos. Claro que é bem difícil chegar ao nível dos caras que idolatramos, mas acredito que pelas ferramentas que dispúnhamos (técnica e musicalmente) conseguimos um resultado muito bom.

"Sabíamos do potencial do disco e da importante mensagem que ele deveria passar."

Mad Dragzter - CD Master of space and time
Rodrigo Chenta- Este álbum foi gravado no estúdio do Gabriel Spazziani, "Casa da Lua Áudio". Quais as vantagens e desvantagens, caso haja, de gravar e produzir um trabalho deste porte em estúdio próprio?
GS-
A vantagem de se fazer um trabalho no estúdio próprio é principalmente com relação ao custo, somada a liberdade que se tem para trabalhar as faixas com calma. Porém o processo acaba se tornando um pouco mais lento, pois temos que usar as horas ociosas do estúdio, e você acaba ficando mais "exigente" com o resultado final, e demora para acertar/aceitar o trabalho em si. No fim, ficamos satisfeitos com a sonoridade, não vou dizer que era exatamente o que buscávamos, mas chegamos bem perto.

Rodrigo Chenta- Bastante interessante foi o fato de distribuírem gratuitamente sete mil cópias de "Master of space and time" em formato gráfico de envelope. Falem sobre a divulgação deste CD.
MD-
Desde o início do planejamento desse disco já havíamos definido que tudo seria de graça. A versão física e online. Depois de 10 anos parados e em um semestre com lançamento de monstros mundiais como Iron Maiden, Slayer, Soulfly, Motorhead, etc... Fora o dinheiro curto da molecada, a chance de alguém comprar esse disco era muito pequena. Por isso optamos pelo formato bem barato do CD, mas com quantidade maior. E as 7000 cópias estão no final. Sabíamos do potencial do disco e da importante mensagem que ele deveria passar. E tudo tem sido cumprido à risca.

Rodrigo Chenta- É perceptível que cada vez mais, bandas lançam os seus respectivos trabalhos não utilizando a mídia física do CD e optando pelo formato digital com extensões como: .wave, .flac e .mp3 (320kbps), por exemplo. Como entendem estas novas tecnologias?
TT-
As mídias digitais são importantes e acredito que em um futuro muito próximo não teremos mais lançamentos físicos. Só streaming e download. Mas essa mudança vai demorar mais para chegar ao Metal. O fã de metal ainda gosta do material físico, encarte, fotos, etc.. Ele coleciona e se orgulha da coleção. Fora ainda a febre do vinil que parece que voltou para ficar, principalmente no Metal.

Rodrigo Chenta- No Brasil existe uma grande dificuldade sofrida pelas bandas de metal. A falta de apoio é basicamente inegável. Eu gostaria que falassem sobre o assunto.
TT-
Infelizmente o Metal no Brasil não é tão popular como é nos EUA ou Europa. Aqui quem manda é o sertanejo e Axé. Então tocar Metal no Brasil é ser herói. E duvido que isso vá mudar algum dia. Quem vive de Metal entre as bandas brasileiras fora Sepultura, Angra e Krisiun? E isso porque são grandes na Europa e EUA, porque se dependessem de Shows e Vendas só no Brasil... sem chance ...

Rodrigo Chenta- Qual a visão de vocês em relação à cena atual especificamente sobre a quantidade e qualidade do público presente nos shows?
TT-
Acho que a música boa sempre levará público para ouvi-la ao vivo. Porque os Shows do Metallica e Iron Maiden continuam lotados no mundo todo, inclusive aqui no Brasil? Porque a música é marcante, única, e faz parte da vida das pessoas. Mas hoje em dia quem mais consegue fazer isso? Quem realmente faz música boa, marcante, original, com alma e personalidade hoje?

"... tocar Metal no Brasil é ser herói."

Mad Dragzter Rodrigo Chenta- Falem sobre a parceria do Mad Dragzter com a Army Inc.
TT-
A Army Inc é uma marca de roupas, que pelo momento econômico do Brasil, está parada, mas foi criada para atender um espaço no mercado brasileiro de bangers, surfers, skaters, fighters, etc. Escolheu o Mad Dragzter para ser a primeira banda 100% patrocinada, mas também fez parcerias com gente do peso de Dave Lombardo, Warrel Dane, Pete Sandoval, etc.

Rodrigo Chenta- Falem como surgiu o selo "Army Records".
TT
A Army Inc. Lançou o Selo Army Records para laçar o novo disco do Mad Dragzter e futuramente lançar outras bandas e discos. Selo 100% Independente, com tudo sendo feito na raça!!!

Saiba mais sobre Mad Dragzter
Saiba mais sobre Rodrigo Chenta