Entrevista com Mario Pastore

Mario Pastore, cantor e compositor é uma grande referência para o heavy metal brasileiro. Nesta entrevista falou sobre seu projeto solo e os dois CDs lançados e ititulados "The price for the human sins" e "The end of our flames".

Rodrigo Chenta- Como se deu a criação deste trabalho solo intitulado Pastore?
Mario Pastore-
O Pastore foi uma ideia minha que nasceu em 2005 após o lançamento do Delpht. Comecei com o Alexandre Botaro eu e ele compondo e depois entrou o Raphael Gazal que começou a compor comigo e o Alexandre. Em seguida, o Alexandre não estava conseguindo se dedicar, continuei com o Gazal na guitarra e produção, Fabio Buitvidas na bateria e o Ricardo Ravache no baixo. O primeiro single saiu em 2007.

RC- Os dois discos que gravou com a banda Pastore foram lançados no Japão juntamente com uma faixa bônus cada. De onde surgiu esta parceria com o pessoal de lá?
MP-
Sim verdade, eu mandei na época que o "Price" ficou pronto, no myspace da banda e para vários países. No natal de 2010, recebi um e-mail do selo Hydrant Music, dizendo que haviam gostado do som e se eu poderia mandar o cd todo. Se eles gostassem iriam propor um contrato e assim foi.

RC- Em "The price for the human sins" você teve uma participação como coautor das composições muito maior do que em "The end of our flames". Fale sobre a parte criativa da banda especificamente em relação às músicas.
MP-
Isso foi proposital da parte dos outros membros, porque existia um conflito. Eu estava sendo tratado como coadjuvante dentro daquilo que comecei, então a coisa começou a ficar estranha. No primeiro cd eu já tinha ideias e elas eram aceitas, isso gerou uma série de conflitos que culminaram para o fim da formação que gravou o segundo cd.

"O metal não é um estilo popular então o investimento praticamente não existe."

Mario Pastore RC- A banda Pastore tem uma parceria com Marcelo de Paiva Berno tanto nas fotografias como na concepção da arte dos CDs lançados até agora. Como funciona este processo de interação para a criação das capas dos álbuns?
MP-
O Marcelo é um grande artista gráfico e meu irmão de longa data. Eu digo a ele como penso na ideia e ele a desenvolve fantasticamente. Agora ele toca na banda, melhor ainda.

RC- O álbum "The end of our flames" parece ter mais influência do thrash metal onde surgem elementos como riffs mais diretos, baterias utilizando conduções mais rápidas e certa agressividade típica do gênero. Isso foi intencional ou saiu naturalmente?
MP-
Isso partiu deles, principalmente do guitarrista e eu fiz minha parte na voz indo mais para esse lado.

RC- Ao ouvi-lo e compará-lo com o álbum anterior percebe-se um notório aumento na qualidade da gravação e mixagem onde os timbres parecem mais nítidos. Fale sobre o assunto.
MP-
Sim porque a captação do som já foi feita com mais e melhores recursos. O cd foi mixado e masterizado na Suécia pelo produtor Tomas Plec indicado pelo meu amigo German Pascual que é produzido por ele.

RC- Você costuma usar diversos timbres de voz conforme a tessitura e caminhos da melodia. Como funciona a tua pesquisa para verificar o que se encaixa melhor antes de ir para o estúdio gravar?
MP-
Eu ouço os riffs e já começo a bolar o que vou cantar, fazíamos prés também buscando melodias e timbres. Definindo isso já gravo, não costumo demorar.

RC- Fale sobre a dificuldade que as bandas de metal no Brasil possuem em conseguir apoio dos grandes selos existentes.
MP-
O metal não é um estilo popular então o investimento praticamente não existe.

"... procuro ao vivo me portar como mostro nos vídeos"

Mario Pastore - CD The price for the human sins
RC- Qual a sua visão da cena atual em relação à quantidade e qualidade do público presente nos shows?
MP-
Acho que tem melhorado a quantidade de fãs interessados em bandas autorais e acredito que esteja ficando melhor aos poucos, algumas casas boas de shows tem surgido, como o Gillan´s entre outros.

RC- Atualmente a maneira de se ouvir música mudou em demasia comparando com a época dos discos de vinil, pois é possível comprar pela internet a discografia inteira de uma banda e ouvir onde quiser. Como você entende esta mudança?
MP-
Acho legal porque existem mais meios para divulgar, mas acho ruim porque os fãs deviam comprar os cds, e sou saudosista, acho que nada melhor do que tirar um vinil ou cd da embalagem, ouvir vendo fotos, letras etc.

RC- Após a gravação de "The end of our flames" você reformulou a banda toda. Isso provoca também alterações em relação às composições, interpretações já que são outras pessoas. O que determinou estas modificações?
MP-
Com certeza pessoas diferentes irão influir em mudanças musicais, mas busco sempre mudanças sem modificar o estilo, sendo mais básico, porque não quero mais falar sobre aquelas pessoas porque me traz más recordações. Eles quiseram tomar conta e mandar naquilo que eu comecei e quando eu estava a ponto de partir para a agressão porque não aguentava mais tanto desrespeito, dividi o dinheiro por igual e disse a eles por e-mail que não iriamos mais trabalhar juntos, tirei um peso enorme da minha vida e hoje estou muito bem.

"... estava sendo tratado como coadjuvante dentro daquilo que comecei."

Mario Pastore - CD The end of our flames RC- Quais são as vantagens e desvantagens do processo de produção e distribuição independente de um CD?
MP-
A desvantagem é que a equipe trabalha por conta e o gasto vem do próprio bolso, a vantagem é quando vende, pois o que se ganha é da equipe.

RC- A banda Pastore possui dois videoclipes: "Far Away" e "Brutal Storm". O que muda em relação à performance comparando a de um show com a de uma gravação como nos dois casos citados?
MP-
Acho que não muita coisa, mostra uma banda de metal tocando com agressividade e se movendo como se estivesse em palco, procuro ao vivo me portar como mostro nos vídeos.

RC- Fale sobre o que é necessário para cantar com propriedade especificamente no caso do heavy metal e thrash metal.
MP-
Conhecer o estilo e colocar a verdade do estilo, sua técnica e talento para soar autêntico. O caminho é esse!

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