Entrevista com Yuval Ben Lior

Yuval Ben Lior, guitarrista e compositor fala sobre o seu CD "Natureza urbana" com composições próprias. Discorre sobre a pré-produção, gravação deste álbum repleto de tangos, choros, valsas, flamenco, música cubana, etc.

Rodrigo Chenta- Fale sobre a temática do teu primeiro CD solo e o porquê do título "Natureza Urbana".
Yuval Ben Lior-
Sendo uma pessoa dos teatros, dos bares, botecos, das ruas asfaltadas cheias de rostos diversos, diria que a minha natureza é urbana. Apesar de encontrar muita paz e inspiração na natureza selvagem. O Cd Natureza Urbana é o primeiro lançado. Minha gaveta é cheia de outros projetos que já foram gravados e nunca foram lançados. Quem sabe um dia ...

RC- Ao escutar este trabalho me vêm à mente gêneros como tango, choro, valsa, flamenco, música cubana e outros mais. Como foi o processo de escolha do que seria gravado?
YBL-
As músicas do cd foram escolhidas por época, ou seja, foi a última leva de músicas que fiz antes de gravar o cd (menos a música Made in Israel, que foi feita bem antes).

"Gravamos todo o cd ao vivo ..."

Yuval Ben Lior RC- Conte como foi a pré-produção deste CD?
YBL-
Na verdade não houve um processo muito elaborado de pré-produção. Apenas escolher o tempo (andamento). Antes de gravar toquei com meu quarteto por uns quatro meses nos bares do Rio. Assim nasceram os arranjos. Os temas foram escritos pra violão e poderão ser executados solo, fato que não deixa muito mistério em relação ao arranjo. O violão leva a melodia junto com a harmonia (na maioria das músicas). Fica muito mais simples de trabalhar as partes dos outros instrumentos assim.

RC- A formação instrumental é bastante sugestiva aos gêneros e estilos abordados nesta produção. Como foram os arranjos que fez para este álbum?
YBL-
A preparação da pré-gravação teve dois ensaios com o quarteto e um encontro apenas com o Chico Chagas (acordeão) para trabalharmos as dobras e contrapontos. João di Sabbato, da bateria, trabalha comigo há muito tempo e praticamente conhece as minhas músicas melhor do que eu. Juntando com o experiente e talentoso baixista Berval Morais as coisas aconteceram de forma muito natural. Gravamos todo o cd ao vivo, em um período de 6 horas jogado fora e regravado em mais 6, depois houve overdub de percussão, o violão e a sanfona foram gravados em salas separadas.

RC- O trabalho todo foi gravado com violão de corda de aço sendo trocado por uma guitarra elétrica apenas na música "Juntos na solidão". Você compõe pensando especificamente em um instrumento ou isso é apenas uma questão de arranjo?
YBL-
As minhas composições começam na cabeça, ou na alma, se quiser. Traduzo pro instrumento só depois. A minha técnica e forma de tocar não muda pelo instrumento, e sim pelo estilo que vem acontecendo. Em relação a "Juntos na solidão" foi o timbre apesar de que talvez hoje gravaria com violão cigano esta também.

RC- Em "Natureza Urbana", os improvisos são econômicos e objetivos. Qual critério você utiliza para escolher quem sola em determinada música?
YBL-
O critério foi a natureza dos instrumentos. O destaque no cd é para a sanfona e o violão.

RC- No encarte do CD disse que registrou suas "reflexões em forma de música". Fale mais sobre o assunto.
YBL-
Se não fosse muito tímido, talvez escrevesse poesia, utilizando palavras.

"Se não fosse muito tímido, talvez escrevesse poesia, utilizando palavras."

Yuval Ben Lior - CD Natureza urbana
RC- Discorra sobre o título das composições deste álbum.
YBL-
Como falei no encarte, as músicas são inspiradas por lugares, pessoas ou experiências que vivi no passado ou estou vivendo. Os títulos das músicas nascem assim.

RC- Em relação ao processo de gravação, qual foi a forma de captação do som do violão e da guitarra?
YBL-
O violão foi gravado com três microfones, lapela no corpo do violão, um condensador na frente e um condensador de ambiente. A guitarra passou por Fender e capturada por dois microfones, um na cara e um de ambiente.

RC- Nas faixas 2, 3, 5, 7 e 8, existe uma introdução onde apenas um instrumento é executado. Fale sobre estes momentos tocados em solo.
YBL-
Os momentos de introdução em solo vieram pra completar a composição. O silêncio e o minimalismo são parte da música. Foi bem intuitivo.

RC- Diga algumas informações sobre o teu projeto Manouche Carioca que explora a ideia do jazz cigano.
YBL-
O Manouche Carioca nasceu da paixão pelo tipo musical, mas a historia, começo e quando foi a procura por um instrumento que lembra a sonoridade de um bandolim, o violão tenor isto me levou a encontrar o violão cigano e me envolver mais com esse tipo de música.

"Sou eterno aluno e apreciador da música."

Yuval Ben Lior RC- Como é a cena carioca em relação aos locais para concertos de música instrumental com improvisação?
YBL-
Sempre tem espaços pra tocar. Mas a preferência no Rio é para o samba, o pagode e coisas do tipo. Nada contra.

RC- Você teve oportunidade de se formar no GIT (Los Angele-EUA) e tocar com grandes ícones da história do jazz e fusion na guitarra. Quais foram os grandes aprendizados desta experiência que teve?
YBL-
Meu grande aprendizado é que sempre tem mais pra aprender. Sou eterno aluno e apreciador da música.

RC- Em sua opinião, qual é a importância da interação entre os músicos nos momentos de improvisação musical?
YBL-
Interação para mim é comunicação. Sou contador de histórias e quero fascinar e emocionar o meu público. Espero que consiga fazer isso.

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